Ataques a ônibus e prédios públicos no RN foram ordenados por facção criminosa, diz MP

Os ataques ocorridos em Natal e no interior do Rio Grande do Norte em junho deste ano foram ordenados por chefes de outros estados de uma facção criminosa. A informação foi confirmada pelo Ministério Público nesta quinta (5), após a deflagração da operação Mamulengo que visa combater a atuação de uma facção criminosa dentro e fora de unidades prisionais.
Entre os dias 2 e 7 de junho passados, pelo menos 13 ataques a prédios públicos, ônibus e unidades policiais foram registrados em cinco municípios potiguares. Pelo menos um assassinato de policial aconteceu durante esse “salve

Ataques

O primeiro caso foi registrado no sábado, dia 2, quando um ônibus da linha 25 foi incendiado no Bairro Nordeste, na Zona Oeste da cidade. Ainda no mesmo dia, o policial militar Kelves Freitas de Brito foi assassinado a tiros em Parnamirim, na região metropolitana. No domingo, outro veículo foi incendiado em São Gonçalo do Amarante e um posto do Corpo de Bombeiros em Mossoró, na região Oeste, pegou fogo.
No dia 4, criminosos atearam fogo em um ônibus escolar no município de Umarizal. Já no dia 5, um carro de passeio e um caminhão frigorífico foram incendiados em Mossoró. No dia 6 de junho, um homem ateou fogo em um ônibus da empresa Guanabara que estava no terminal do conjunto Parque dos Coqueiros, na Zona Norte da capital. Já no dia 7, também em Mossoró, criminosos metralharam uma base do Corpo de Bombeiros na BR-304.
Além disso, um carro e uma ambulância da corporação foram incendiados. Ainda no dia 7, um carro foi incendiado e totalmente destruído dentro do pátio da prefeitura de Umarizal.
Os incêndios causaram temor na população e os ônibus das empresas de transporte urbano de Natal foram recolhidos. Após os ataques, a segurança nos terminais foi reforçada.

Operação Mamulengo

Nesta quinta-feira (5), o MPRN iniciou a operação Mamulengo contra a facção criminosa paulista em quatro estados: Rio Grande do Norte, São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Foram cumpridos 52 mandados de prisão. Destes, dois foram em Natal e 21 no interior. Além disso, foram cumpridos nove de busca e apreensão. Um advogado foi preso na capital potiguar suspeito de integrar a facção.
A operação batizada por causa do fantoche do Nordeste brasileiro faz referência à subserviência dos integrantes da facção no Rio Grande do Norte às chefias em São Paulo. Por telefone, os chefes paulistas mantêm o controle financeiro, cobram o pagamento de mensalidades com transferências para contas bancárias em outros estados, aceitam ou não o ingresso de novos integrantes e até ordenam crimes, inclusive homicídios, aos integrantes potiguares.
As investigações começaram em fevereiro de 2017 com a instauração, em caráter sigiloso, de um procedimento investigatório criminal para apurar a atuação da facção paulista no estado, especialmente quanto à responsabilidade criminosa da rebelião registrada em janeiro do ano passado no Presídio Estadual de Alcaçuz, em Nísia Floresta, quando pelo menos 26 presos morreram.

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